domingo, 21 de janeiro de 2018

Confuso

Confuso, enxergo meus medos
Não raros, sob a órbita desse orbe.
Difuso, entre os vitrais e os azuis
Um facho de luz espectral lilás
Dissipa o assombro...
Arranha-céus fixos ao chão
Suas sombras assustam
E encobrem o sol do verão.
Deixe que as raízes espalhem
Freixos, hortências..., e as heras
Cubram de frescor nossos lares;
Alimente nossas vidas com alegria.
Nossa energia consubstanciada
Não deveria estar atrelada
Às grandes indústrias e edificações,
Às inundações e perda de tantos saberes,
Morte de tanto verde e animais.
Criemos novas ações,
Façamos germinar novos ideais.
Clara seja nossa noite
Pra lucidez dos novos dias.

2 comentários:

Paulinho Dhi Andrade disse...

Parece uma prece, um apelo... muito bom. Gostei muito.
Parabéns.

Unknown disse...

Muito bom mesmo. Uma combinação de doses de suavidade e leveza, e ao mesmo tempo profundidade como elementos que existem sob a égide da força singular de sua escrita, sob a minha humilde percepção. Além disso, as rimas espontâneas que emergem como resultado das ideias, conferindo-lhes vigor formal e ênfase, no meu ponto de vista, deixam transparecer uma feminilidade adulta enraizada em sua força de mulher, mas ao mesmo tempo, a força de uma criança esperançosa e pura.Assim, percebo-a como se ela fizesse com as palavras algo que Henri Matisse nos mostra com sua combinação de cores e formas na obra "A dança". Sem dúvida, é muito gostoso, somos tomados por um prazer, ao lermos seu poema. (Maria Luiza Maciel - escritora, artista plástica e professora de Artes Visuais)