quarta-feira, 14 de março de 2007

(de Fernando Maia Jr.)

Ser escritor. Como definir isto? Quem pode e quem não pode dizer ser um escritor? Pode-se dizer que há escritores profissionais e escritores amadores? Se etendermos profissional como aquele que é remunerado pelo trabalho que executa e, em oposição, amador como aquele que pratica a arte por gosto e não para alcançar qualquer benefício monetário, sim, podemos dizer que há tais tipos de escritor. Mas provavelmente ambos trazem em si pelo menos uma coisa em comum: a necessidade de escrever.
Esta necessidade não é um vício, mas um pedido da própria natureza do escritor - da mesma forma como a fome é um pedido do corpo fraco e o dinheiro, do sistema. Um escritor vive escrevendo, hoje nas telas dos computadores, há pouco à máquina de escrever, ontem com a pena sobre o papel amarelado, no couro, no papiro, na pedra, na areia, no guardanapo - sempre no pensamento. Um escritor observa e escreve - ainda que o escrito se perca no amplo da sua mente e que nunca mais o próprio escritor se lembre do que escreveu. E muitas vezes sequer é preciso observar - basta que se pense e lá está o escritor; se tender a ensaísta, a dissertar; se tender a poeta, a construir ritmos, organizar rimas; se tender a prosista, a narrar, a descrever.
Porque a arte da escrita está intimamente ligada à personalidade do escritor e à maneira como ele escreve e porque ele próprio pode criar personalidades para que escrevam no lugar dele, tal arte é uma das que mais representa a diversidade não apenas humana, mas universal, pois não há átomo neste universo que um dia não venha a ser descrito nem pensamento nesta humanidade que um dia não venha a ser abordado pelas letras de um escritor ou de seus heterônimos. Tudo isso causado pela simples necessidade do escritor de escrever.
Há quem diga que a maior necessidade do escritor é a de ser lido. Entretanto, isto é apenas uma consequência, a de fazer germinar a arte produzida, porque o leitor é a terra fértil ou infértil a que o escritor arrisca lançar suas sementes, desejoso de vê-las crescer como um pai ou uma mãe carinhosos em relação a seus filhos. Daí podem surgir matas grandiosas ou pequenos jardins, um bosque bonito ou um pântano feio - mas estas metáforas não são as verdadeiramente imprescindíveis para se definir o que é ser escritor e sua fatalidade: escrever para viver!

Fernando Maia Jr.

14 comentários:

Me Morte disse...

Esperei o dia todo.Se preciso fosse esperaria uma eternidade.Ler o Fernando é aprender a sorrir, a sonhar, como se fosse um momento único.Fernando, seja muito bem vindo.Teu texto tem sua cara, diz tudo, reflete a alma de cada um de nós escrivinhadores.Valeu a pena esperar.23:30, a hora de aprender.Um super beijo da Me para ti lindo.

Fernando disse...

Brigado, linda. :-) Esse Blogger é do mau (ou num gosta de mim! :-P) - por isso a Me me deu uma ajuda para postar - entre um e outro conflito informático que se sucedeu neste dia 14. O texto é simples, não fala nem precisa falar tudo - quis só organizar na minha cabeça porque nos achamos escritores. :-) Espero que gostem! E que acrescentem muito mais. :-)

Jeandro Cabral disse...

Bom Fernando, muito bom seu texto concordo plenamente
Com suas palavras, o escritor é isso tudo e mais um pouco nós amamos a as letras, formando palavras, frases e colocando tudo que sentimos seja num papel ou na tela do computador.
Parabéns cara...
Força Sempre!

Mão Branca disse...

Na verdade, estou é orgulhoso de mim mesmo pois obriguei o Fernando a escrever aqui.
Suas palavras fluem como água na minha séquida garganta.

Agora que tá hidratado vou beber mais uma dose. de barril.

Fera, Fernando.

[barba] Uonderias disse...

eu espero que ele seja forçado a escrever aqui por muito tempo
hehehe
parabéns Fernando

Véïö Chïñä‡ disse...

Muito pertinente o texto.

Anaconda de Deus disse...

Caralho, esse ficou foda, caramba, não sei quanto aos camaradas, mas esse texto me fez querer escrever feito um louco, ao meu ponto de vista esse texto ta foda

Lameque Hyde disse...

Pensamos, logo escrevemos. Existimos, somos escritores.

Um brinde ao Fernando e as suas reflexões sobre a nossa classe.

Deveras disse...

Cara já tinha deixado um depoimento bem embasado, ams ele não apareceu. Agora vai um "mandou bem", pela falta de tempo.

ficanapaz!

Klotz disse...

Grande jogada do marqueteiro geólogo postar na última meia hora do prazo? Suspense do Fernando Hitchcock Maia?
Nada disso. Problemas de computador.
Se nós estávamos ansiosos pelo texto, aposto que Fernando já havia comido, todas as unhas.
Valeu a pena tanto esforço e tanta espera. Gostei da reflexão madura.

Fernando disse...

Pessoal, brigado pelas boas palavras!
Ei, Mestre Klotz, marqueteiro?! Tá me chamando de Paulo Coelho? hehehehehe Brincadeira! Pois é, esse blogger não carrega a página de cadastro, por isso demorei a postar. Vou instalar o FireFox, pois pode ser problema do IE.
Sobre o texto, gostaria de ter escrito mais um pouco, mas escrever para blog é como escrever para colunas de jornais, é bom sempre pensar no tamanho da mensagem. :-) Relendo agora, tb acho que poderia ter evitado algumas vezes a palavra "escritor", porque em alguns momentos, embora não prejudique muito, ficou um pouco carregado.
Mas é isso, acompanho o brinde ao que nos move: o simples escrever!
PS: Deveras, eu sempre copio meus comments antes de enviar, seja por orkut, e-mail ou blogger. :-)

Eliane Alcântara. disse...

Todo o texto delicioso de ser lido, mastigado, digerido, bebido, mas o final... hummm... dá vontade de repetir o gole. Parabéns!

Eduardo Perrone disse...

Uma saga. Um sacerdócio. Um desejo. Um destino...Escrever.

PARABÉNS!!

sandra disse...

Um de seus "escritores" COPIOU meu texto inteiro!!!!!
Eu quero a retirada do texto e um pedido de desculpas!!!!

MEU TEXTO: RELÓGIOS – PUBLICADO EM 27/02/2007

A CÓPIA: Terça-feira, 13 de Março de 2007
Mente humana?