sábado, 16 de junho de 2007

Entrevista com Deus.



Porfírio olhava pra ELE e ELE lhe pareceu medonho.
Duas cabeças saiam do seu tronco já que não havia o pescoço para sustentá-las. Nelas, seis pares de horríveis olhos alaranjados, vez ou outra saltavam fora das faces. O nariz, num dos rostos, parecia uma chaminé de onde escorria um fétido e pegajoso líquido verde. Da sua única boca nada se via a não ser um negro e interminável túnel e por onde, de forma cíclica, vomitavam labaredas azuladas.
ELE percebeu a decepção que causara a Porfírio:
-E então? - ELE perguntou
-Mas, mas, mas,...- Porfírio, entre surpreso e atemorizado tentava se expressar mas sem conseguir alcançar o seu objetivo.
ELE insistiu em dar tempo ao tempo. Era infinita a sua tranquilidade e o seu misericordioso silêncio. Também não lhe custava dispor de alguns momentos para que Porfírio pudesse gozar aqueles minutos de fama, afinal, não era com qualquer um que ele falava, conversava com Deus, o todo poderoso!
-Mas, mas, mas...- Porfírio, novamente tentou.
Impossível! A perplexidade era tanta que por mais que tentasse não conseguia expressar qualquer palavra que não fossem os seus "mas, mas, mas” ·
E então o tempo urgiu e nada aconteceu. Foram unicamente momentos de paralisia e o todo poderoso presenciava os esforços lábiais mas que, fatidicamente iniciavam e terminavam naqueles temerosos "mas, mas, mas". Como era de se esperar, a divina paciência se esgotou e os doze olhos do Senhor, antes, inexoravelmente alaranjados, arregalaram-se assustadoramente e faiscaram violentos e impetuosos raios violetas. As chamas que lhes cuspiam da boca, agora amplamente dilatada, não eram azuis e sim de um rubro encarnado e as vermelhas labaredas, expelidas em quantidades, mais lembravam o fluxo de um sangue menstrual. E, antes que Porfírio se desse por achado, sentiu no corpo lhe percorrer uma sensação estranha e estremeceu como se sacudido fosse por um daqueles terremotos avassaladores que de quando em quando fulminam as loucas ruas de Los Angeles. E o seu o corpo ainda tremia na convulsão quando o Senhor se fez nele a prova da sua fúria celestial e na voz de mil trovões, retumbou:

-Mas, mas, mas, é o caralho! Que mania é essa de achar que eu era bonitinho!

9 comentários:

Marco Ermida Martire disse...

Véio, que idéia boa, desenvolvida... mas, mas, mas merece uma revisada. Tem uns trecos fora de ordem.

Véïö Chïñä‡ disse...

Marco.

Desculpe o Véio mas eu havia feito esse continho de 2 formas e você viu a 1a. Na hora que postei a versão No 2 você já havia feito teu comentário. Se por acaso voltar e quiser comentar sinta-se à vontade. Juro! agora não mexo mais.
Essa foi difudê, né??

hehehe!

Thin White Duke disse...

aeiuaehuiaehiaehiaeheaea

perfeito Véio! original e criativo!
mto foda!

Marco Ermida Martire disse...

Melhor, bem melhor, Véio...

Mão Branca disse...

mas mas mas...deus não existe. hehehe. boa história.

Lameque Hyde disse...

Véio, dizer que o texto está bem escrito é chover no molhado e gastar elogios, hehehe.

Como vc diz, difudê esta colocação de que Deus teria que ser bonitinho.

Thorpo disse...

Boa cara, embora sua alma já esteja comprometida depois desse texto...rsrs

Wilson R. disse...

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Genial, Védio. Desculpa a demora de comentar.

Abraços.

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Muryel De Zoppa disse...

adorado!