terça-feira, 5 de junho de 2007

Retrato em preto-e-branco

A definição de raça agora é sacramentada por um tribunal de pureza racial que fotografa os candidatos a vestibular na UnB – Universidade de Brasília – e define os que podem ou não ser enquadrados nas cotas dos negros. Na escola aprendi que raça era uma coisa e cor era outra.
O que me interessa é devem ser criadas cotas também para os portadores da letra K no nome. Desde a alfabetização sofri descriminação. Tudo por causa da reforma ortográfica de 1943 que eliminou a letra K do nosso alfabeto. Os portadores das letras W ou Y que juntem sua turma para formalizar seu pleito. Vou cuidar apenas daquilo que me diz respeito. Somos poucos, pleiteamos cota de apenas 0,5 % das vagas universitárias.
Negros e mulatos: 40%; deficientes físicos: 20%; egressos de escolas públicas: 35%; pobres: 20%; indígenas: 15%; asiáticos: 4,5%; judeus: 3%; desafinados 5%; macrobióticos 2%; órfãos 1%; analfabetos: 18,37%.
O nosso caso não necessitará de nenhuma comissão especial para confirmação. Dispensaremos atestado de pobreza e exame de DNA. A identidade será o suficiente para provar nosso enquadramento na cota. Particularmente tenho K por parte de pai e de mãe. , é preto de pai e indígena de vizinho,
Feliz mesmo vai ser um amigo meu Zibgniev Chlowinsky, é pobre, estudou em escola pública do nordeste, não aprendeu a escrever, é preto de pai e indígena de vizinho, sem amídalas, careca, míope e na casa dele não tem televisão colorida.

Zib com certeza vai entrar na faculdade, pois somando todas as cotas estará com 127, 38%, o problema é que irá direto para o laboratório de antropologia.

14 comentários:

Thin White Duke disse...

caramba Klotz, perfeito!
sarcasmo na medida extrema
eaiaeiaeheaea

flew!

Anderson H. disse...

hahahahaha Muito bom. Acredito que o Zib vá mesmo para o laboratório.

Lameque Hyde disse...

Colocou o dedo na ferida amigo Klotz.

Fico sempre pensando no que se passará na cabeça de um loirinho de olhos azuis morador da periferia de Curitiba sem acesso a uma educação digna perder sua vaga na universiade para o filho do Pelé, pelo simples fato da cor de suas peles beneficiar o segundo em detrimento do primeiro.

Adoro a chic ironia que permeia seus escritos.

Deveras disse...

Excelente!

Crítica social fodida, ironia fina e inteligente. Curti pra caramba.

As cotas deveriam ser sociais, e não atirando um brasileiro contra o outro por causa da cor da pele. E este negócio de "Tribunal racial" já fizeram uma vez... Na Alemanha, depois de 1933. Deu no que deu.

ficanapaz, Mister "K"!

Me Morte disse...

Eu acho que toda luta contra o preconceito a uma classe é válida. A utopia de um mundo onde mulher não precise de dia x, onde os idosos não precisem reivindicar respeito, os quarentões espaço profissional, o negro, o indígena, cotas na faculdade, criança direito de brincar...Klotz, eu sugiro uma noite inteira contigo falando nesse assunto (se é que conseguiria falar com vc numa noite inteira, acho perda de tempo,tem coisa melhor pra fazermos, rsss). Bom texto, criativo e irônico, como vc.Beijos

Eduardo Perrone disse...

Quanto ao tema eu considero um nojo social, na medida em que, fica criada a classe dos "coitadinhos", que, só o são, pela total inabilidade (dolosa) dos governos brasileiros. Essa palhaçada de cotas criou a casta do "miseráveis culturais" de melhor sorte... Coisa nojenta mesmo.
E quanto ao texto do Klotz... É tão bem elaborado, que eu REZO que vá parar na mesa do Presidente, até mesmo pq, eles são vizinhos. A ironia "chic"- à qual o Lama faz menção- é uma das marcas de Roberto. Típica de quem sabe o que escreve.

Alessa disse...

é... a Constituição diz q todos são iguais perante a lei e mais: art. 205 - a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. - cadê a igualdade? o tempo da escravidão já passou e foi há muito tempo.impedir alguém de estudar por causa da cor e da raça é nojentamente ridículo. resquícios de Hitler e seu arianismo? q país é esse q faz isso em pleno século XXI, onde acredita-se q todas essas barbáries já estivessem solucionadas? é inaceitável e inadímissivel. isso não é melhorar a educação como o governo tanto fala. pelo contrário, é ridicularizá-la mais ainda. esse é o Brasil... "ame-o ou deixe-o". irônico isso.

Jimenna Rocha disse...

Sou estudante de direito da UFPB. Se cinco porcento do Centro de Ciências Jurídicas for "negro" é muito.

A UFPB não adota o sistema de cotas. Onde está a igualdade ai? O que é ridículo? Que conceito de justiça é esse que vocês defendem que trata os desiguais igualmente?

Prefiro mil vezes ter acesso à universiadade e sofrer preconceito e não ter acesso e sofrer do mesmo jeito.

No vestibular que eu fiz para entrar no meu curso me exigiam saber sobre a reprodução das plantas, sobre geometria analítica, fazer cálculos estequionometricos e etc... Até hoje não usei uma vírgula disso na Faculdade. Será que a pessoa que ficou a 400 vagas atrás de mim iria precisar disso pra cursar direito?

Larissa Marques disse...

O racismo é uma "merda", mas fico pensando que o problema vai além, se houvesse igualdade de oprtunidade para todos não haveria problema com cotas, nem com nada do tipo. Todos tinham que ter chance, mas a vida im sociedade cão é e nunca foi justa. E humano é a raça mais idiota que existe, vê lá se o gato preto olha com racismo o gato branco, ou rajado... E vice-versa.

Angela Gomes disse...

“Cínico” com desfecho hilário. rss
Tema polêmico muito bem abordado.
Riríamos mais, não fosse a problemática situação frente a um sucateamento do ensino público, uma indústria do ensino e a marginalização cultural. O degredo social em que vivemos é miscigenado e não justifica a possibilidade de preconceitos, sectarismos e segregações raciais, mas sim, investimentos em uma educação pública e de qualidade.
Com relação à desigualdade histórica, penso ser o povo indígena o maior prejudicado, portanto, não posso firmar-me completamente contrária às cotas.

Tão importante quanto o texto, é o debate que sugere e as opiniões lidas.

Thaïs Mello disse...

Nossa, Klotz, muito bom! Uma maneira sarcástica e original de deixar o seu recado. Adorei!

Jimenna Rocha disse...

E enquanto discutimos esse país utópico o "negro" e outras "minorias" continuam sem acesso à educação universitária.

Vamos continuar com a hipocrisia do sistema perfeito enquanto a classe média-alta-branca continua monopolizando as poucas vagas que há nas universidades públicas.


Realmente, só alguém que tem conhecimento em matemática, física, química e biologia e que fica entre os 40 primeiros têm capacidade de cursar uma universidade pública de dreito. Os outros padrões sociais e a dídida social que o país têm com determinados setores é um ponto secundário.

Márcio disse...

"Jimenna Rocha disse...
Sou estudante de direito da UFPB. Se cinco porcento do Centro de Ciências Jurídicas for "negro" é muito."

Considerando-se que os negros formam aproximadamente 3,96% da população paraibana, segundo o último censo... Me parece que isso é uma vantagem, não?

Quando é que o pessoal vai aprender a pensar mais com o cérebro e menos com o coração? Ou os intestinos, como é tão freqüente...

(fonte: wikipédia ->

Márcio disse...

Ops... de alguma maneira o blogger cortou isso...

Lá vai de novo: fonte: Wikipédia -> http://pt.wikipedia.org/wiki/Para%C3%ADba#Demografia