sábado, 14 de julho de 2007

Fardo

Esse fardo de sonhar
Mais parece uma real conspiração

Não sei mais quando voar
Todo tempo é tempo
De estar com os pés no chão

Não sei mais por onde andar
Toda via adverte
A presente placa de contramão

Não sei mais em que pensar
As idéias surgem
Em contradição

Já é tempo de fazer chegar
Este tempo de poder voar
Para longe dessa subliminar prisão

Para perto da liberdade
Onde se possa escolher
A cor dos ladrilhos

Para um lugar que, eu sei, existe
Onde a paz é um deus
E Deus é a paz

Onde não existam causas violentas
Nem suas conseqüências cruéis
Onde a bandeira hasteada não seja cor de sangue
Derramado

Onde a canção é prece
Onde o diálogo é poesia
Onde?

Vôo para onde qualquer andarilho
Que saiba eleger bem seu caminho
Vá de encontro à satisfação

Onde cada caminhante
Não se veja em peregrinação errante
Misto de desespero e determinação

E onde o valoroso peregrino
Que se manteve em passos firmes
Note que seu fardo foi sua salvação

9 comentários:

Me Morte disse...

Uns dizem que esse lugar não existe, outros que existe, mas pra se chegar lá precisa-se morrer. Já eu acho que existe sim e está tão próximo, bem aqui dentro da gente. Teu poema é lindo Fê, fala da nossa busca, dos questionamentos, das escolhas que sempre nos levam a uma porta sem chaves. A vida toda nos trancamos em fechaduras de conveniencia. Lindo poema, profunda mensagem, me fez lembrar do passado.Beijos

Fernando disse...

Dia 14: saudações de novo, pessoal! Hoje eu ataquei com uma poesia muito antiga minha. Fiz essa aí quando tinha 16 anos. Por causa disso, peço que perdoem o ar simplório e ingênuo da coisa; mas a escolhi para relembrar a época em que começamos a despertar para as letras, ainda que só acordemos mesmo para elas anos depois.

Apesar de simples, ou até primária, eu gosto dessa poesia. Ela mostra um tempo em que eu pouco ligava para a regularidade do texto e discute algumas idéias que ainda hoje não concluí.

No original, dou um ar concretista a ela, disponho as estrofes de modo a formar um caminho sinuoso. Aqui no blog, acho, não dá pra fazer (ou eu não sei! :-P).

É isso! Espero que gostem ou que me perdoem, hehehehe. :-)

Fernando disse...

Me, que rapidez, hehehehe. :-) Bonito comentário. :-) Brigado.

Thin White Duke disse...

Fernando, gostei bastante!
gosto de poesias assim, reflexivas sem serem difíceis... parabéns!
flew!

Marco Ermida Martire disse...

lembro de uma época em que gostaria mais do seu poema! Acho que eu tinha outro sangue nas veias. As coisas mudam, né? São as concessões que vamos fazendo para seguir a estrada. Anyway, apreciei.

Edson Marques disse...

O fardo é sempre leve no ombro alheio.

Belíssimo poema!



Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.


Abraços, flores, estrelas..

João Victor disse...

caralho, muito bom o poema! é o q eu estava precisando ler ultimamente

Fernando disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando disse...

JV, é sempre bom qdo o poema acha seu tempo - pro leitor e pro poeta! :-)