sábado, 7 de julho de 2007

PERCEPÇÃO



Todos os dias tu postas o teu banquete.

Sentam-se contigo

Quem bem entendes.

Tú escolhes, e colhes

O sono frouxo desta digestão.

O riso fácil dos que tens à mão.

E de mim, tens , apenas,

A visão de que me reservaras algo que não pedí.

Perceba!...Tenho algo intangível,

Um humor crível

Que não tem etiqueta-de-preço.

Não me chames

Um dia eu apareço.

Não te custará cobre algum.

Virei , vestido de nobre,

Ou travestido de bebum.

Virei do jeito que eu quiser

E, não te custará um trocado qualquer.

Esse é meu preço.

Pois , do metal eu sempre esqueço

Quando a minha fome

Faz par à tua.

Faz verdade, meio cozida , meio crua

De almas que prefiro nuas

De mesas postas

De sono frouxo

De riso farto.

Sem preço

Sem etiqueta

Com quase nada que nos remeta

Ao círculo vicioso

Do pagar por pagar.

Perceba...

3 comentários:

Me Morte disse...

Mama mia! Que coisa linda! Libido, amor, tdo misturado e um poeta de talento dá nisso: obra prima. Amei guri.Lindo!

Anônimo disse...

Eu já conhecia,e mesmo assim ainda me surpreende e toca. Obra prima mesmo.

Beth

Thin White Duke disse...

Belíssimo!