sábado, 5 de janeiro de 2008

A noite em que brochei




Sabe aqueles peitos das mulheres de filmes americanos? Pois é, a Patrícia tem um par desses. O generoso decote exibe muita energia, poder e alegria. Logicamente a alegria fica por conta, apenas, daquele que tiver o privilégio de brincar naquelas montanhas russas. Ou americanas. Ou brasileiras. Sei lá, eu sempre me perco quando estou cercado no vale.
A Patrícia é da área de marketing e são raras as oportunidades que tenho de encontrá-la no trabalho. Aquela exuberância só fica disponível aos meus olhos nas reuniões semestrais. Até propus que as reuniões semestrais fossem todos os meses. Mas parece que a diretoria não quer que outros gerências se relacionem com o pessoal de propaganda e marketing.
Na última reunião além do decote ela veio de saia. Uma saia comportada. Nem chamou a minha atenção, ao menos antes da reunião começar.
As coisas começaram a se complicar quando o destino me colocou na mesa bem à frente da doutora Patrícia. Eu havia me preparado com afinco para aquela reunião de resultados. Uma boa apresentação respaldada em trabalho eficaz poderia definir uma promoção para alguém daquela sala. E eu queria ser promovido.
No momento em que percebi que a exposição de motivos do departamento de marketing estava naquele decote resolvi abaixar a cabeça e concentrar o meu olhar nos meus apontamentos. Foi aí que eu perdi minha promoção.
Patrícia jogou com toda sua capacidade. Ela estava em casa. O terreno era o dela. Ela já sabia onde seria a reunião. Seria na sala com a enorme mesa de tampo de vidro. E ela se preparou muito melhor que eu. Usou de todos os artifícios para me constranger e me desconcentrar. Ela estava sem calcinha. Fui aplicado, conferi direitinho e me certifiquei que ela realmente, deliciosamente, estava sem calcinha. Ela empurrou um bilhete para mim.
– Quer?
Limpei a baba que escorreu pela lateral da minha boca e assenti com a cabeça olhando para o decote. Era impossível olhar para os olhos da doutora Patrícia.
A fama da doutora era de cumpridora de prazos e compromissos.
Na sexta-feira nos encontramos e fomos ao motel.
Tudo perfeito, Patty estava pleonasticamente divina. Meus sonhos iriam se realizar. Era o sonho de dez entre dez funcionários da empresa.
Só nós dois no quarto. Meia luz. O beijo. A agarração. A volúpia. Mãos acariciando e apalpando. Mãos despindo corpos. Corpos nus se pegando e se esfregando. Libido nos céus. Os enormes e rígidos seios eram meus, todos meus. Meus e da minha língua.
Minha língua descreveu meio círculo no mamilo de Patty e na mesma hora Patrícia, de prazer, cravou as dez unhas nas minhas costas. O sangue correu da perfuração de dez punhais.
Brochei. Perdi a promoção, o tesão e a vantagem de dizer que tinha comido a Patrícia.

4 comentários:

Deveras disse...

Isso é que é pesadelo, Mestre (não a parte fda descrição da gostosa, hehehe), mas perder além da bombada na gata, a promoção básica. A propósito, perdeu a promoção para ela? Se for, no mínimo, suspeito... Ou suspeitos, assim, em par, hehehehe...

Outra coisa no meio há uma citação de "outros gerências", mas nada que desabone o texto.

Belo conto. Enxuto, embora o final não possa ter sido mais trágico, rs.

ficanapaz

Fernando disse...

Que tragédia!... :-( Caraca, senti muito pena!... Que Deus não nos proteja das Patrícias, mas que esteja conosco quando estivermos com elas!

(Como sempre, ótimo texto! Ótimo poder de contar histórias em poucas palavras! Quando o Correio Braziliense vai te contratar, Klotz?!... :-))

Carlos Cruz disse...

suportar a dor durante o coito demanda rigoroso e disciplinado treinamento. faça o seguinte: compre uma pequena morsa de ourives, comprima os testículos - um a um, depois ambos - enquanto se masturba, olhando a foto da mulher samambaia. faça isso diariamente. após duas semanas, substitua a foto por uma da condolisa rice. caso consiga ejacular, parabéns. vc está pronto. jamais perderá outra promoção, ainda que a chefa seja feia como o diabo.

muito bom o texto.

Klotz disse...

Amigo CC, o personagem é um autêntico looser, um perdedor. Aposto que quando ele for comprimir os tastículos na morsa, esta nunca mais se abrirá obrigando nosso azarado a ficar dependente de paracetamol.