quarta-feira, 26 de março de 2008

Quando escrever errado pode não ser tão ruim

Eu era criativo. Falava, discorria, dissertava. Era tudo caprichado. As linhas preenchiam ao mesmo tempo a folha e a mim. As palavras me davam a energia e o ânimo que eu precisava até mesmo para continuar escrevendo e preencher cada vez mais e mais minha vida. O coração pulsava num ritmo tão acelerado quanto o rabiscar da folha em branco ou o bater dos dedos nas teclas. Às vezes acordava desesperado em plena duas e quinze da madrugada para anotar uma idéia qualquer. Quando esquecia o que ia anotar, tratava logo de pensar em algo, pois nada justificava um salto da cama, a não ser escrever. Eu odiava ter que dormir sem registrar meu dia numa folha. Tive poucos diários, mas muito bem usados.

Meus textos eram extensos, pelo menos eu os considerava assim. Tinham densidade, lirismo - como disse - pelo menos eu os considerava assim.

Eu executava um ritual tão metódico: sentar (ou deitar), música clássica, lápis 6B, caderno comum e mil e uma idéias. Ás vezes terminava um texto ou um poema e no final não sabia explicar o que quis dizer. Simplesmente estava escrito e pronto. Certa vez li um texto sobre o escritor Paul Valéry, o qual afirmava que muitas vezes o escritor não explicava o quis dizer em determinado poema ou texto. Valéry apenas respondia que não quis dizer, mas sim fazer. A intenção de fazer é que dizia o que ele queria expressar.

É quase assim comigo, não em todas às vezes, só vez ou outra. Comecei a escrever essa crônica acreditando que a internet havia quebrado a minha rotina e prejudicado a qualidade dos meus textos. Fico com um pé atrás sempre que me vejo digitando “vc” ou coisas desse tipo. Com três anos de orkut já esqueci como escrever muitas palavras não tão usuais. Não quero imaginar como será daqui a dez ou vinte anos, quando começarem a surgir os primeiros livros escritos em linguagem de internet. Será o fim da gramática, da boa escrita ou será o início da preguiça mental? E quando da escrita passar para a fala? Questão de tempo ou questão de escolha? Eu não sei responder. Você sabe?



P.S.: A internet propaga muito rápido qualquer tipo de tendência. Hoje é possível encontrar quem faz humor utilizando os erros de português, criando uma nova língua, chamada Tiopês. Os adeptos criam comunidades e conversam na nova língua.
Exemplo de diálogo em Tiopês retirado da comunidade inpreza tiopes ®:
“tiop açin, __---a inpreza tiopes eh uma inpreza qriasda paar imriqecer o vokabulareio tiopes con proldtos inovadoris qeu faraun di seu kliemtis peçoaz mais kuutas vokbolariam...

Mais comunidades:
Tiopês - A Revolução
faalr tiopes como fas???

Pra quem gostou ou achou divertido e quer aprender, existe um tradutor de Tiopês. Experimente http://www.tiopestranslator.cjb.net/

Este post faz parte da Blogagem Inédita

Um comentário:

lena casas novas disse...

"ESSELENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
mto bom! vc tá cd dia show, vlw!"


Seja o tiopês dos nossos netos e tataranetos.

Vamos escrever o maximo que pudermos com excelência!