quinta-feira, 15 de maio de 2008

Santinha do pau oco

Um dia perguntaram
se o desriso da menina
havia sido o molde
da santa do pau oco

Porque lhe repararam
que a luz que ele atina
é o sorriso sob tolde
que atiça o caboco

Sua pele é morena
Seu olhar, amadouro
Seu cabelo, uma fronde

Tudo na pequena
vale mais que o ouro
que a santa esconde

2 comentários:

Fernando disse...

Olá, pessoal! Primeiro desculpem o atraso; eu deveria postar dia 14, mas vendo que ainda não tinham postado no dia 15, resolvi me emendar: é que ontem voltei para casa mais tarde do que imaginei. :-)

Bem, nesse simples poema explorei três coisas:

1) o tema - que é sobre o que se mostra e sobre o que se esconde. Este tema foi proposto por uma autora paraibana muito cara do Bar, Maria José Limeira. Na época, fizemos uma série de poema sobre máscaras e coisas afim; enfim, sobre o que se mostra e sobre o que se esconde.

2) Nisso, pensei em explorar a figura da santa do pau oco. Lembrando da época em que estes itens eram comuns, decidi abusar também de um português mais português também, menos brasileiro, lançando mão de termos como tolde, fronde e até mesmo caboco, que é registrado em dicionários portugueses.

3) Por fim, para não parecer muito arcaico, quis romper um pouco com a rima de sonetos, criando uma dependência inter-estrofes e não apenas intra-estrofes.

Espero que gostem! :-)

Poeta Vagabundo disse...

gostado fernando!