sábado, 12 de julho de 2008

Fragmentos VI a X

A Primeira Vez em Sampa
São Paulo tem mania de cativar forasteiros. a prata corrente parece tecer certa atração magnética nos olhos deles. nada comparado ao cheiro de bosta de vaca grudado na sola da bota. Maria tinha certeza de que os bichos eram escassos. no circo só haviam palhaços e rouxinóis. um espetáculo.

O Encontro com Velho Chico
velho Chico disse que raízes fortes crescem longe da terra em que é semeada. Maria profanou o dito por ter crescido numa só vila. tive certeza daquilo quando pousei no lugar de onde parti. dividido entre a serra e o mar, entre o sertão e a cidade, a voz soa contra a própria língua. fechei a porta do alpendre. era hora do adeus. outra vez.

Vandré
nem Chile, nem Uruguai, nem Europa. o único lugar que Vandré se exilou foi nas estrelas. nunca me senti tão só nessas andanças. parei de fumar e de perguntar. entrei numa cabine telefônica e liguei pra Maria. a velha viola desafinou. vai se difícil esquecer o gosto amargo do chimarrão falsificado. disse eu a ela. ela não respondeu. o patrulheiro estrangeiro me esperava lá fora.

Mulher de Bandido
a pior coisa do mundo é o abandono. feito crias de mulheres de bandidos abatidos, criam a própria lei. conversei rapidamente com Josué, um traficante de 14 anos. nunca mais veria aquela arara. depois vim saber, por um major do exército que uma taturana pesa mais que um jabuti. na hora não entendi. ele riu da rede que armava. o candeeiro apagou.

Na Selva
a selva é o último refúgio de um guerrilheiro. perseguido pela indústria parlamentar, o pequeno espécime sobrevivia às custas do próprio Estado. o atoleiro não segurava o jipe. tive surto de malária e febres regionais. achava que o Brasil seria um país melhor por me sacrificar. Maria ria das piadas que contava. mesmo que não entendesse. lembrei de Diana, uma cadela vira-latas, e dormi.

Um comentário:

Larissa Marques disse...

todos comentados em seus devidos tópicos.