terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fragmentos XI a XV

Muryel de Zoppa
tanto faz tanto fez da dureza da teia de renda que segura mosquitos a serem devorados. o bicho morde mais do ladra. é fato. desacato é elogio da autoridade. tem notícia ruim no jornal pregado na parede do banheiro. mas está de cabeça pra baixo. Muryel de Zoppa é isso. filho de cidade grande infileirada de viés. tocaia na porta da própria casa. cuidado.

Zé da Zona
trabalhar nunca foi trabalho pra quem descansa de noite e dorme de dia. contraria a ordem do descaso. dia sim, dia não sempre tinha um estoque de coroas e cordas de nailon sobrando. não arranhava muito bem. tinha idéias de esquerda num país de esquerda voltada pra direita. ninguém o entendia. achava isso um saco. tudo bem, isso passava. tomou rumo incerto sempre a fazer o que mais sabia. atrapalhar.

A Lenda da Mula
como três e três são seis, vi que era pária de mula de pais separados. impossível, disseram. Vicente sabia da lenda dela. chamado de demente ainda criança por ter duvidado da somatória divina dos genes dos animais da fazenda que se davam ao trabalho. nunca mais foi o mesmo. tornou-se a própria carga. a mula, diferente dele, nunca perdeu a cabeça.

Os Ovos de Olga
prestes a cometer uma insanidade, Prestes fora advertido por ela. Olga não sabia fritar ovos. eles mexidos, porém, eram sua especialidade. o sujeito tinha cara de codorna assustada e depenada. de munição e de alemão não queria ouvir. não ali e naquela hora. estava preocupada demais com os ovos quebrados. era tarde demais. ele partira sem cuecas.

João Paulo II
o vaticano é um lugar inóspito. cheio de gente com sorriso no canto da boca falando de deus e olhando pro lado. Maria não entrava ali nem fudendo. o velho tinha uma antipatia irritante por aves de rapina. o visionário solitário sofria de flatulência e a disfarçava com breves abanos de mãos como a simular saudações aos fiéis. controvérsias a parte, aquilo nunca me convenceu. o céu, ali, era mais baixo. mentia.

Um comentário:

Larissa Marques disse...

sumido, moço...
estou gostando da série fragmentos, espero editá-la.
beijo, saudade!