terça-feira, 7 de abril de 2009



PUNHAL CEGO


...............................Eduardo Perrone.................................



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Quero uma lâmina cega
Que não te possa cortar.
Para que assim
Eu não te mate,
Outrossim,falhar
De vez.
Pode parecer insensatez,
E é.
Te vejo tal síntese de mulher,
E não te toco,
Tampouco
Cheiro.
Quero uma lâmina cega,
E que não enxergue
Mais esperanças.
Um punhal inofensivo
Em mãos de crianças,
Que é o que bem somos.
Quero um cenário lírico,
Um mundo imaginário,
Onde heroínas e heróis
Descansem após
O último
Dos gozos.
Pode parecer estupidez.
E é.
Te vejo tal síntese
E mesmo assim, quando der,
Vou ficar lembrando de tuas pegadas,
Dos teus cheiros
Sabores e aromas...
Ficar batendo nas teclas de um piano sem pés,
Degustando , como vinho,
Todo o revés
De não ter sabido nunca
Amolar uma simples lâmina,
Cortar meus braços,
E morrer sorrindo...

4 comentários:

Rita Medusa disse...

Gosto muito desse,principalmente do desfecho...

Rosa Cardoso disse...

Já disse que esse teu texto eu amei,mas não vou dizer que vc é isso ou aquilo...vai ficar convencido e isso aqui é pra falar de literatura.

Ah...Rita tem razão o desfecho é super.

Fui!

Lena Casas Novas disse...

Esse tá bom. Mas aquele pau... que saudade!

liz disse...

Curto demais as rimas do Perrone!