terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Alfarrábios


Percebo uma ruptura que me duplica.

Mas sou feito de ferro e concreto,
fissuras não me comovem.
Já sou azul e amarelo,
preto no branco,
e uma velha testemunha do conformismo.

O sopro que fere meu rosto
é a prova da fragilidade desta armadura.

Redimo-me da canção subalterna a um desejo ocre.

E que não me faltem alfarrábios
para dizer da crueldade dos anjos,
que infernizam minhas noites
e me visitam nas manhãs opacas
pintando-as de tons pastel,
feito palhas que incendeiam sutilezas
e espalham a fumaça:
ardência dessa angústia nos meus olhos,

asas que se queimam em pleno vôo
sobre um chão que já não há.

(Celso Mendes)

5 comentários:

poeta do inverno disse...

frágeis somos como a pena que deseja alçar voo para alem deste universo e nós desejamos alçar voo para alem de nos mesmo e o melhor através da escrita nós conseguimos....

Beth Cerquinho disse...

ameeeeeeeeeeeeeeeei seu blog...seguindo com vc..
bjka

liz disse...

bonito!

FláPerez (BláBlá) disse...

que bonito!

Celso Mendes disse...

Obrigado a todos!!!