quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PENSANDO NA MORTE


PENSANDO NA MORTE
PARANÓIA CARDIOPATA DE UM VICIADO


Sentado no vaso sanitário do Braseiro na Gávea
Terrificado
Penso, logo desisto.
A qualquer hora, vou morrer.
Vou ter uma apoplexia
Derrame de merda
Derramo bosta
Aqui, eu sei.
Flatulências
Não posso mais com doce
Meu bestunto tá derretendo
Não consigo respirar
Sinto dores no coração
Compressão
Premonição
Vou morrer de uma parada cardíaca
Ataque de cardiopatia
300.000 batimentos por segundo
Tô nem aí
Bato outra carreira neste banheiro nojento
Onde estou, ensaio sensações.
Pavor, não nego, tenho medo da morte.
Engulo...
... Um ecstasy
Minha testa pinga
Ouço zumbidos
Zumbis
Fantasmas
A passagem pro além eu comprei nas bocas da vida
No trem da extinção, meu sombrio embarcou.
Embaçou, meu olho dói.
Ocularmente, pressionado.
Sinto, a visão vai explodir.
A foice vai me partir
Enfarte
Não
Eu não
Socorro!
Minha cachimônia lateja
Dores
Pontadas
Náuseas
Vômitos
Por fim, a morte vem me buscar.
Não realizei nada
Ninguém me ouviu
Não ouvi ninguém
Sei que vou morrer
Vai ser agora
Não levarei saudades
Vou embora

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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

6 comentários:

Glauber Vieira disse...

Bom texto, a atenção é presa do início ao fim!

Marina disse...

Muito bom. E forte. !!

P. Treuffar disse...

Vlw Glauber, sempre bom ser comentado por vc, grnd abço.

Obrigado Marina.

Celso Mendes disse...

Muito bom! O texto prende o leitor realmente e passa muito bem as nóias dos drogaditos. É por aí mesmo...

P. Treuffar disse...

Vlw Celso, prender do começo ao fim é a gloria do escritor.

Reflexo d'Alma disse...

Pablo!
Perfeito
"Terrificado
Penso, logo desisto."

Ritmo da vida:louco e desenfreado.
Meu slogan combina com seus textos:
entre delírios e delírios
Bjins