domingo, 9 de outubro de 2011

A POESIA DOS MORTOS



A primeira pessoa que vi morta foi meu pai
Depois de um tempo
Só pensava em gente morta
Comecei ir às capelas
Gosto de ficar olhando pros mortos
Tenho a pretensão de saber seus pensamentos
Seus apegos
Sua vida
Descobri que vou morrer
Adoro olhar pra morte
Não é porque vou morrer que vou ser bom
Sou ruim por uma vida
Sou ruim e da certo
Cansei de ser inteligente
Pessoas atribuem valores
Trabalho
Casa
Família
Mudei isso
Saí de role com a vizinha
No carro dela, é claro.
Sempre achei o tamanho do carro inversamente proporcional ao tamanho do pênis
Minha vizinha gorda, que não tem pênis, comprou uma DODGE RAM 2500, a maior pick-up do mundo.
Ela acha que tem a maior pica do mundo
Não tem
Tem bucetinha
Tinha
Entregue à sorte num sobrado do centro da cidade
Eu e a vizinha gorda e feia
Olhos nos olhos
Eu e a futura morta
A cara pálida da morte sorri pra mim
Com um cassetete na mão e o cacete na outra, eu falo com olhos calmos:
- VOCÊ NÃO É SAPATA. VOCÊ É GORDA! QUANDO UMA PESSOA TE VÊ ELA PENSA PRIMEIRO QUE VOCÊ É GORDA!
Dou três cacetadas na cabeça dela
Tá lá...
... Um corpo estendido no chão!
Tenho sangue nas mãos
Orgulho nos olhos
Sigo no meu Jogo de Matar
Eu sou injusto
Próximo...

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

3 comentários:

Átila Goyaz disse...

Excelente divagação!

Ygo Maia disse...

Parabéns pelo blog.
Visita lá o meu também

http://ymaia.blogspot.com

Lady Spectrum disse...

Gostei, e muito!

A morte inspira a vida, pois todos vamos morrer - e muitas vezes matar, nem que seja em texto ou pensamento.

www.lady-spectrum.blogspot.com