terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vago

um poema gelado
de palavras mudas.
um verso solto, sem abrigo,
o zunido do silêncio
que se quer luz.
a busca, sim a busca.
uma lógica de vidro,
frágil, cortante, invisível, quebrável,
e as folhas de uma canção distante
a soprar-me os pés.
a companhia dos sonhos sugere que estou vivo.
um cão; há calor.
percorro o teclado,
roço olhos em cristal líquido,
renego os sentidos.
e as letras insistem
num significado
que não sei lhes dar.

(Celso Mendes)

Um comentário:

Cris Amâncio disse...

Maravilhoso, a sensibilidade das palavras são incríveis, parabéns...