sexta-feira, 12 de julho de 2013

Reinventar

Com tudo em volta
Nada me surpreende
Não há mistério que eu não saiba
Não há descoberta já eminente

Com todos em volta
Nada me tenta
Não há pessoas complexas que eu não entenda
Não há desejos já desdobrados

Com a fome saciada
Migalhas resumidamente coletadas
Não há coração contido
Não há pensamentos famintos

Com os lábios úmidos
Umedecidos pelo complementário
Não há saliva mais viva
Não há doce mais exaltado

Com...pleto sou neste instante
Dúvidas...incertezas...distantes
Não há sobras para atrelar
Não há linhas para enlaçar

Tenho que me reinventar

Com nada em volta
Tudo pode ser novo no ausente
Insinuantes rebeldias femininas
Desembrulhadas como presentes

Com ninguém em companhia
Tudo é metediço
Pessoas implexas virtuosas
Com anseios reprimidos

Sem a fome de palavra
Letras esmigalhamente soletradas
Coração circunspecto
Circunspectamente esmigalhado

Com a boca sedenta
Longe de outros exemplares
Secura morta de vontade
Salga o céu da promiscuidade

In...completo volto a ser
Afirmações...certezas....ao longe
Pedaços em todo lugar
Cordas para se enforcar

Tenho que me reinventar

2 comentários:

Gabriel Machado disse...

Parabéns pelo poema! Muito legal a comunidade de vocês, eu gostaria de poder entrar em contato.

Mariane Lobo disse...

A secura do fim e o vislumbre de recomeço dentro dum belo poema. Adorei.