sábado, 30 de novembro de 2013

Convidado Luiz Carlos "Barata" Cichetto

Elogio à Mentira


Falamos mal da mentira, a chamamos de prostituta e megera
Mas sem a mentira não existe a poesia, o sonho ou a quimera
Ah, quanto somos hipócritas em combater a mentira e ensejos
Porque nela, na mentira, estão todas as artes, sonhos e desejos.

Sem a mentira não há a paixão que sustente, relação que aguente
E pensando bem não existe verdade sem a mentira que a sustente
Pensando melhor não existe a verdade, apenas mentiras repetidas
Que reditas e recônditas as transformam em verdades mentidas.

A mentira é o político, o poeta e a prostituta; a mãe dos desgraçados
A criança e o ancião, a esposa e a amante, Deus e o Diabo abraçados
Brancas ou negras, pequenas ou grandes não existem meias verdades
Mas por semântica a mentira é sempre um inteiro ou duas metades.

E encerrando o presente elogio, cuja mentira é um poema horroroso
Confesso ser eu um falso poeta, um ser desprezível e um mentiroso
Que um arremedo de ode á falsidade da mente mentirosa ora retira
Pois tal não fosse jamais escreveria um mentiroso elogio à mentira.


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 Luiz Carlos "Barata" Cichetto
http://www.baratacichetto.blogspot.com.br

Um comentário:

MPadilha (Me Morte) disse...

Muito interessante! Se pensarmos que para Nietzsche "mentir não é propriamente não dizer a verdade", então pode-se dizer que na poesia, tanto quanto na vida, mentir é como usar metáforas para descrever uma digital, hehehehe.
Belo poema, muito bom! (e isso é verdade)