quarta-feira, 25 de abril de 2007

O Lobisomem e a Professora

Era uma cidade do sertão nordestino, onde as condições nada favoráveis ao ser humano e a paz monástica reinavam absolutas entre os aldeãos.

O cenário, bucólico e miserável, propiciava todo tipo de lenda, que se propagava aos quatro cantos da cidadela como uma espécie de respeito aos mistérios da natureza e uma barreira ao mundo exterior.

Entretanto, a lenda do lobisomem, que desposava moças virgens nas sextas-feiras de lua cheia, era a que ganhava maior destaque. Um misto de temor e curiosidade aguçava os sentidos dos sertanejos.

Rezava o folclore que nas benditas noites, quando o relógio marcava zero hora, a criatura bestial - metade homem, metade lobo - quebrava as porteiras das fazendas, matava os cachorros, pulava as janelas e tomava para si as imaculadas moças da cercania.

Depois de violentá-las em meio ao solo árido, Ele as abandonava, sem roupas e totalmente ensangüentadas, à própria sorte.

Curioso é que depois do evento, as ex-donzelas eram tomadas de um súbito mistério e mudavam completamente suas atitudes, não faltando aquelas que sumiam mundo adentro.

Foi assim que Glorinha, a jovem professora acanhada da comunidade, não se sabe o porquê, colocou-se à espreita da figura Bestial na data aprazada. Em seu íntimo, somente aquela Espécie poderia libertá-la das privações impostas pelos Homens.

Irreconhecível envergando um vestido de chita minúsculo, sua pernas morenas e roliças eram um convite ao acasalamento.

Quando a Criatura quebrou a cerca da casinha onde ela morava e encontrou a moça deitada no chão, pela primeira vez assustou-se, não sabendo o que fazer.

Era estranho, ver a presa ali, muda, submissa, a sua espera. Acostumara-se aos gritos e súplicas de misericórdia, que tanto o excitavam.

Então, a menina clamou ao Ser que a possuísse com toda sua volúpia e a fizesse mulher. Dizia ela que precisava experimentar aquela metamorfose. Pretendia transmutar-se através daquele Animal.

Selvático, o híbrido homem-besta tomou-a em suas garras sujas e penetrou-a com seu membro peludo, de proporções jamais vistas em um ser humano.

Enlouquecida, a pobre professora contorceu-se alucinadamente de dor e prazer, movimentando o seu corpo sob o dele, como uma cobra encantada revolvendo-se na terra seca.

A Criatura cortava-lhe a pele com os dentes e unhas, de onde pendia o sangue vermelho, beijando-a com um hálito quente forte e por fim, com estocadas dilacerantes, despejou uma gigantesca quantidade de esperma em sua vagina, inundando seu corpo.

Depois do acontecido, a moça nunca mais foi vista, mas reza a lenda mais conhecida de toda a região que nas tais noites de sextas-feiras ouve-se o uivo de dois seres por aquelas bandas enquanto duas sombras de humanos-lobos podem ser vistas refletidas na lua cheia.

Dizem até que, ultimamente, o que se vê são três figuras, sendo uma delas, de silhueta singelamente pequena.

O curioso é que as demais Iniciantes sentem falta daquele que um dia viria tomá-las, mas que por outras forças da Natureza, deixou de fazê-lo.

Na madrugadas de sexta-feira, as janelas das casas e casebres ainda ficam povoadas por donzelas à espera do monstro que as façam mulheres!

10 comentários:

Lameque Hyde disse...

Dizem que comentário de amigo não vale, mas estou cagando para isto. O texto é muito legal quando brinca com o imaginário e a mitologia de certas regiões brasileiras. Vá em frente que você esta progredindo e criando um universo literário próprio e isto é um dos pilares fundamentais para se fazer um bom escritor.

[barba] Uonderias disse...

wwwwwwaaaaawwww
gostei, já vi muitas histórias assim, mas essa me prendeu na leitura

Mão Branca disse...

membro peludo? hehehe, o caralho do lobisomem era como um cactus, cheio de pêlo?
aqui é um bar. todos têm direito. que beleza. achei fraquim...

Leonardo - Spoke disse...

Muito bom o texto. Contar lendas mexe como o imaginário das pessoas. Continue assim, se inspirando sempre.

emanuel disse...

Sinceramente?

O que me incomodou no seu texto (e muito) foi a linguagem.
Você foi muito prolixa. Muito descritiva. Quase um abuso da paciência de um leitor contemporâneo.

Não estou me referindo ao tamanho do texto. Já vi textos MUITO maiores, porém, mais concisos.

Siga as idéias do homem da caatinga: corte os excessos.
Afinal, de que valem tantos adjetivos, se todos eles estão se referindo ao mesmo substantivo?

Me Morte disse...

Eu achei uma história infantil incrível! E viveram felizes para todo o sempre. Digamos que seja o sonho de toda mocinha, encontrar um lobisomem que a coma, case e lhe dê filhos. Talvez a Xuxa lendo isso decida gravar. Desculpa a brincadeira, mas foi uma mistura de sexo com história da carochinha literalmente. Boa estréia Sacerdote, ninguém conseguiu chamar tanta atenção, de verdade. Vc foi demais! Gostei.

Anaconda de Deus disse...

senti que falto algo no meio, mas gostei.

Filipe disse...

Boa linguagem, boa narrativa. Mas quanto à estória, achei meio fraquinha. Até a metade criou-se uma expectativa que, para mim, não correspondeu ao final.
A introdução e os parágráfos iniciais, foram a melhor parte.

Muryel De Zoppa disse...

Segundo Osvaldo tua incursão pelo regional é louvável. Fina condução narrativa em um terreno de riquíssimo material estético, porém de difícil manuseio. Logrou uma boa estória.

Deveras disse...

Um lobo, quero dizer, um lobisomem que não pula a cerca? Deve ser meio parente meu (por parte de lobo, claro)...

Como já disseram, falar sobre lendas é muito rico, mas um pouco de sal no meio daria um sabor a mais. Nada que uma pitadinha não dê jeito.

ficanapaz!