quarta-feira, 30 de setembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

SM

Há momentos para a delicadeza das rendas.
Mas não hoje: corpete de couro, correntes.
É noite de algemas e vendas.
E ninguém tem nada com isso,
A não ser a gente.

Você se rende, se entrega,
Se dá ao luxo da confiança cega
No carrasco que elegeu.
Em pé à beira do leito, o tal eleito, eu,
Faço de você brinquedo e deleite.

Te quero dada de corpo e mente,
Te quero em bondage, amada, afoita,
Te quero em estro, miando, felina,
Te ouvir gemer meu nome entre dentes.
A cada meu toque de afago-açoite
E cada beijo quente da parafina.

Se quiser, depois a gente troca,
Você senhora, eu submisso.
Danem-se vizinhos e fofocas!
Ninguém tem nada com isso.
Há muitas e várias formas de gozo
E titio Sade ficaria orgulhoso.

Casa do Cantador

Única obra de Niemeyer no Distrito Federal localizada fora da área tombada de Brasília, a Casa do Cantador foi construída na Ceilândia, que é tida como a cidade mais nordestina do país foram do nordeste, atraás apenas de São Paulo.

A Casa do Cantador reíne uma pequena "cordelteca" e recebe habitualmente festivais de cantadores. No andar superior, hospeda artistas em passagem pelo Dsitrito Federal.

Tentei incluir algumas fotos, mas não foi possível; quem quiser conferir algumas imagens pode entrar no meu orkut e procurar o álbum correspondente na parte de fotos.

A Casa do Cantador é facilmente acessada por metrô: basta seguir em direção a estação "Ceilândia Sul" e andar mais 10 minutos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sem Medida

O quanto isto dista
daquilo lá?
A distância da ânsia
do esperar.

O longe é perto quando é certo
o destino.
Mas perto demora na hora
do desatino.

Não é a escala que fala
a dimensão,
nem o metro dá ao certo
a medida.

É o que se sente de repente
na paixão,
e que se mede na lágrima
vertida...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

entrelinhas e pontos...


deixei de existir n-vezes
por causa da sua existência,

até neguei três vezes
a minha forte essência,

que a onda levou por um tempo,
mas foi devolvida pelo banzeiro

num arremesso porta a dentro

escondi no meio do nada,
sem prazo de entrega
para corpo e alma,

entrei em simetria axial
arrebentei a crisálida,
ficou apenas um ponto:final.


Texto: Lena Casas Novas

Imagem: Google

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Porque é de noite

Hoje a noite é apenas esperança,
não pra o que for vivido durante ,
porque isso é apenas expectativa e prazer;
mas sim é esperança que entre o escuro
da noite até mesmo sem luar
seja possível contemplar mais do que
é possível se ver á total luz do dia.
Quem sabe usufruir o tatear
algo tão básico para o sentir
quando não se confia apenas
no que pode ser visto.
Que seja uma noite plena
em todos os sentidos
do sentido
de cada Ser.

Catiaho Alcantara/Reflexo d'Alma

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Consolo

Na sala de espera do consultório, entre plantas de plástico e revistas "Caras", esperando ser chamada pela dermatologista, encontrou algumas velhas amigas e, enfim, sentiu-se um pouco melhor.

Percebeu, com um leve sorriso no rosto, que não havia sido a única vítima do tempo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lugar Perfeito

Me arranque do mundo da lua!
Leve-me para qualquer parte...
Comer poeira em Marte?
Não respirar em Vênus?
Me perder em Urano?
Flutuar em Netuno?
Congelar em Plutão?
Enlouquecer em Saturno?
Carbonizar-me de Sol em Mercúrio?
Não!!!
Que tal criar raízes na Terra?

domingo, 20 de setembro de 2009

Do Passado Presente




Muitas vezes vivo morto


Perdido no tempo



Revivendo o desgosto



Do passado amargo, já passado, já pensado e repensado.



Ai de mim pobre coitado, me iludo com esse fato.



Que de fato já não fato, pois tudo já é passado.



Mas nessa eu sou o pato.



Pois procuro viver aquilo que não é mais



Que está em minha mente e nunca se desfaz.



Queria não mais volta pra lá, mas não sei, não consigo me controlar.



Deve ser loucura.

sábado, 19 de setembro de 2009

Viagem.


(Imagem retirada do Google).

Viagem.

A boca, cor,
abraçava lábios
até perder-se na sua.

Eliane Alcântara.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ao Norte




Hoje eu vou me desfazer da minha bolsa de trabalho e desta farda encarnada; vou vestir uma roupa de viagem, pôr uma mochila nas costas e rumar para o norte. Mas não vou pela estrada; não vou pelas rodovias duplicadas cheias de carros apressados e caminhões cheios de produtos para saciar o insaciável consumismo metropolitano. Prefiro os caminhos de terra, trilhas velhas feitas por antepassados esquecidos; as planícies verdes sob o céu azul escaldante; as colinas vestidas de pedras que guardam a história do mundo. Prefiro o labirinto das pequenas florestas e suas lembranças dos Tempos Antigos, talvez encontre lá alguns animais já extintos. Menino criado em cidade grande, certamente em algum momento eu me perca, mas realmente não me importa, e aí eu queimo o mapa na fogueira e continuo rumando ao norte, que é para lá que eu vou. E quando meus pés estiverem cansados, feridos e calejados, quem sabe algum cavalo esteja me esperando no campo aberto para seguir comigo nessa viagem.
Mas, na verdade eu ainda estou no coletivo, com minha bolsa de trabalho e a farda encarnada. Mas penso em você, meu Norte.


André Espínola


Pedaços






"Minha vida não cabe nos trilhos de um bonde"
(Caio F.)



É, há noites em que o sereno invade a sala de estar, mesmo com as janelas fechadas.
Não sei o que há, Baby. Minhas asas andam descolorindo. Não tenho gosto por cigarros, porém, se eu gostasse, poderia criar uma nuvem venenosa e me afogar em um ritual.
Mas eu realmente não fumo. Tenho gosto por tulipas.
Tulipas não vivem onde mora ausência. Minha sala anda recheada de saudades velozes.
Contudo, certamente não sei se a ausência é apenas de você, sabe? Por entre as pedras soltas, eu acabei descobrindo que ando sumida.
Será que foi o vento de Julho?
Dia desses achei um poema, debaixo de uns livros velhos. Perdi o Leminski que estava lendo, mas guardei a poesia. Desde essa hora em que o achei, pareceu-me que eu sumia. No começo achei que era viagem... Mas agora vejo que me ausentei. Em lapsos, tempos em tempos, percebo que sua bagagem seguindo ao seu lado, de ida demorada, levou-me um pedaço.
E, a continuar nesse episódio, sua conexão via celular, me arrancou mais alguns estilhaços. 
A julgar daí, todos os momentos, foi como se eu estivesse me desmontando, periodicamente, e alcançando seu gesto de alguma forma: Ora pelos remansos dos rios do Recife, ora pelos pingos de chuva. 
A vida é mesmo um desmoronamento progressivo. Eu fui ficando metade, fatia, pó...
E no último dia, antes de vir embora, não percebi ( e nem você ) que eu ficava, completamente carcaça, dentro daquele ônibus interestadual.
(Jessiely Soares) 
Imagem: Google.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Estranho


“Sonho no chão e um dia uma estrada. Um estranho silêncio na rua. Um incêndio calado no homem que passa por mim”
Lô Borges


....

Eram olhos desesperados de paralelepípedos
vasculhando restos de sonhos pelo chão

Imaginei tempo demais
deixando-os esquecidos

Me debrucei da janela
e tentei o meu maior sorriso
ofertado em aquarela

Mas ela não podia ver
além das pernas cansadas
pisoteando o que amava

Eu não sabia que sonhos naufragavam
no asfalto

Perguntei o que a vida lhe fez
cantando outubros que virão
E supliquei em silêncio

Mas eram passos de última vez


“Sonho no chão e a festa não apaga o estranho silêncio na rua” Lô Borges


Barbara Leite

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Descortina-me a alma adormecida

(Sonia Cancine)


Os ventos rasgam forte o meu medo

A chuva irrompe o silêncio
Os trovões soam angustiantes
No espetáculo que se impõe

Gotas incendeiam meu adágio
Que estremece nas entranhas
Cortantes de expectativas
E congelam na memória

Vivi as teias traçadas pelo destino
Mas não vivi os desejos reprimidos
Marcados pelas pedras e tempestades

Vidas desafiam e desfiam o tempo...

Nuvens afagam lágrimas que caem
E enlaçam as dores cristalinas
Da lua escura que se distrai em cólera
Em júbilo junto à noite que desencanta

E sob a indiferença dos céus indigentes
Descortina-me na inerte alma adormecida.

domingo, 13 de setembro de 2009

Dupla Existência, Existência de Duplo

Caminhei como um fantasma em matéria e também em espírito,
A mortalha que me cobre é mutável como minha forma,
Hoje sou amigo de vivos e mortos, com ressalvas lógicas,
A alcova onde durmo é um sarcófago em um mausoléu.

Descobri mistérios da morte e agora recebo oferendas,
Tenho sentidos e habilidades incompreensíveis aos vivos,
Libertei-me da fragilidade mortal, estou imortalizado,
Tenho ciência de outros planos, sou parte de algo maior.

Anúbis me guia até os portões, Thoth relata minha vida,
Maat retira sua pluma, Seth me acusa, todos me observam,
Osíris, Ísis e Hórus aguardam meu espírito transfigurado.

Parte de mim é Ba, parte é Ka, juntos sou Akh,
Tenho quarenta e dois juízes antes do Amenti ou Abismo,
Meu coração será avaliado, apenas aguardo o resultado.


- Mensageiro Obscuro.
Janeiro/2008.

Revelação


Absolvida pelos ventos esfuziantes do sul
Deixo a brisa tocar levemente minha face,
já tatuada de amarguras e profanas inquietações.

Uma força invadiu meu ser,
Mergulho na intensa profundeza
dos meus instintos mais sombrios

Impulsiono-te a conhecer meu inconsciente,
e apresento o que tenho de mais agressivo e feroz...

Revelo-me...

Ofereço a magia inebriante do prazer e,
Proporciono a mais bela e tenebrosa
psique da visão humana.

Faço-te perder os sentidos...

Torno-me o principio do precipício
Da tua perdição...

Se mesmo assim, quiseres me segui
Aviso...

Não é seguro.

(Ro Primo)