sexta-feira, 27 de abril de 2007

Ars Poetica *

A poem should not mean
But be.
— Achibald MacLeish


Quando a tristeza beija minha pele fria
E a solidão desperta um novo pessimismo
E com prazeres de suicida sonho e cismo,
É necessário compor outra poesia.

Risco o papel com desespero, fel e tinta.
Em cada rima meu pavor é sangue e pus,
E no final o meu soneto em si traduz
Toda paisagem que no túmulo se pinta.

Contemplo exausto a tempestade do meu feito
E, na certeza que estarei vivendo em vão,
Sinto-me carne podre dentro de um caixão.

Porque meu verso é uma facada no meu peito,
É um afogado que se atira em todo mar,
É alguém que parte para nunca mais voltar...


Eduardo Borges, abril de 2007.
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(*) Ars Poetica [do latim "A Arte da Poesia"], foi um tratado escrito pelo poeta lírico Horácio por volta do ano 18 a.C. A citação foi tirada de um poema homônimo de Archibald MacLeish (1892-1982). Mais informações: http://en.wikipedia.org/wiki/Ars_Poetica.

9 comentários:

[barba] Uonderias disse...

mais um belo soneto
já são muitos senhor Rebellis

Thin White Duke disse...

adoro poesias melancólicas e você é ótimo nisso!
eaiuheaiuheea
belíssimo soneto
apenas uma correçãozinha, acho que erro de digitação
"contemplo"
fleww
parabéns!

Klotz disse...

Muito bom. Muito bom, mesmo. Gostei muito.
Acho o soneto forte e bem ritmado. Ponto.
Com certeza sou dos que menos sabem e conhecem de poesia.
Pouco me importa, importa que li e gostei.

rebellis disse...

André, corrigi o erro ("m" antes de "t" é cruel hehehehehehehe).

Obrigado a todos!

Anderson Henrique disse...

Muito bom mesmo! Palmas.

medusa que costura insanidades disse...

Puxa,esses sonetos do Sr Gato Preto me deixam tonta...a faca no peito veio a calhar...rsss e eu tb sinto-me carne podre dentro de caixão.....ler espelhos-lindo gato!

Muryel De Zoppa disse...

tua poesia é bela. sou fãn.

Fernando disse...

Eu ainda n tinha comentado esse?! Muito bem feito. Parabéns.

Rebellis disse...

O autor, após ser expulso desse Blog por divergir em idéias do dono do local, exige que seus poemas sejam apagados. Este blog não tem mais permissão para exibir meus textos. Aguardo pacientemente a remoção dessa poesia.

Grato.