domingo, 27 de maio de 2007

Do Desejo de Precipitar-se

Porventura será numa palavra vã
Que a Noite, do poeta a bela cortesã,
Dirá àquele que dorme um descanso sem medos
Como o Amor se revela em antigos segredos?

Envolta no negror de um estrelado véu
Virá a musa noturna, imperatriz do céu,
À cama do poeta, amante do perfeito,
Para dar-lhe um prazer satânico e suspeito.

De posse de um segredo escrito sem sinais
Ele beberá o mel que tanto suplicais;
E viajará então a uma cidade impura
Para sepultar lá a semente da ventura.

Mas todo dom exala o veneno do absinto
E até o poeta irá provar a dor que sinto:
Esse estranho licor que queima na garganta,
Como o vinho que mata, inspira e nos encanta.

Porque terás, infausto odiado e querido,
O mesmíssimo fado outorgado a Cupido:
Que toda flor que brota em meio à escuridão
É bastarda da mais infeliz decepção.

______________

Eduardo Borges [ rebellis ]
Originalmente publicado em http://revelia.blogspot.com.

6 comentários:

[barba] Uonderias disse...

um dos maiores mestres desse bar!

Lena Casas Novas disse...

Excelente rítimo!O tema é atrativo para leitura.Li e reli.Abs

Deveras disse...

Gostei. Têm um ar romantico das antigas.

ficanapaz

medusa que costura insanidades disse...

"Para dar-lhe um prazer satânico e suspeito."...fica difícil comentar as coisas do Edu ele é um verdadeiro construtor de pérolas....te adoro meu,essa arrepiou!bjos

Eduardo Perrone disse...

Xará... DUCARÁLEUM!!!!

Rebellis disse...

O autor, após ser expulso desse Blog por divergir em idéias do dono do local, exige que seus poemas sejam apagados. Este blog não tem mais permissão para exibir meus textos. Aguardo pacientemente a remoção dessa poesia.

Grato.