terça-feira, 27 de novembro de 2018

domingo, 21 de janeiro de 2018

Confuso

Confuso, enxergo meus medos
Não raros, sob a órbita desse orbe.
Difuso, entre os vitrais e os azuis
Um facho de luz espectral lilás
Dissipa o assombro...
Arranha-céus fixos ao chão
Suas sombras assustam
E encobrem o sol do verão.
Deixe que as raízes espalhem
Freixos, hortências..., e as heras
Cubram de frescor nossos lares;
Alimente nossas vidas com alegria.
Nossa energia consubstanciada
Não deveria estar atrelada
Às grandes indústrias e edificações,
Às inundações e perda de tantos saberes,
Morte de tanto verde e animais.
Criemos novas ações,
Façamos germinar novos ideais.
Clara seja nossa noite
Pra lucidez dos novos dias.

sábado, 21 de outubro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Agora

                                         "(...) O tempo passado e o tempo futuro / O que podia ter sido e o que foi / Tendem para um fim, que é sempre presente." T.S. Eliot

Passado passou
Como um vulto na janela
Como passam os pássaros
Como um precipício 
Se revela
Os passos permanecem
Desafiadores em astro
Que transita espaço
Em trilha fixa esférica
Como tudo deixa rastro
Segue sem lastro
Passageiro
Persegue caminhos
Aventureiro
Se alinha
Fia e tece
Tecido de linho
Se despe
Forja nicho
Desfaz ninho
Recompõem ritmo
Abissal 
Contínuo cristal de sal
Precipitado no mar
Lançado para a encosta
Vidrado no olhar
Desidratado com o sol
Partir fremente
Colossal 
Rito de passagem

(Angela Gomes)
(27/09/2017)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O Poder da Palavra


Esse é um pequeno texto dedicado a você, leitor ou leitora.
Houve uma época em que só havia a palavra escrita. Isso foi antes do rádio, do cinema ou da TV e muito, muito antes da internet. Quando a palavra detinha um poder avassalador sobre as pessoas. A palavra escrita era, primeiramente, possível de ser alcançada apenas a um restrito número de indivíduos - os que, normalmente, detinham ou estavam ao lado do poder. Com o tempo, a palavra foi se espalhando através da leitura, e mais e mais pessoas foram adquirindo conhecimento através dela.
Toda essa gente descobria na leitura um mundo diferente. Uma porta a um infinito de possibilidades se abria diante delas. Desde a informação, o conhecimento difundido pela palavra, às estórias mais criativas e originais que advinham das mentes sublimes de seus escritores – tudo estava na leitura, que era tudo para aquela época.
E houve muita gente boa nesse meio magistral e soberano da escrita. Não vou citar nomes, mas estilos, tamanha a riqueza da literatura mundial. Autores iluministas, barrocos, modernistas, parnasianos, romancistas e demais se multiplicavam pelas bibliotecas do novo e do velho mundo, criando, aprimorando ou reinventando estilos e tendências, chancelando a escrita como a toda poderosa forma de conhecimento da humanidade.
Pensadores, filósofos, poetas... toda uma classe de escritores diversos que ainda existe e respira a literatura agora, no século XXI. Nesse nosso século XXI. Onde a tecnologia chegou e continua chegando implacavelmente nos quatro cantos do globo, sem sequer bater à porta. Ela, a senhora tecnologia, que criou e perpetuou a classe dos blogueiros. Que seguem, ao seu modo, com seu estilo próprio, imprimindo a sua marca através da palavra na mente das pessoas.
Ao mesmo tempo que vemos a irrefreável tecnologia nos meios de comunicação, é com pesar que ainda hoje, muitas almas vivem sobre a terra sem saber ler uma linha sequer. Que vieram e vão desta para uma melhor sem escrever o próprio nome em uma linha na folha de papel. E esse fato, mesmo que chocante, serve para nos mostrar que a escrita ainda hoje denota PODER. O poder da palavra.
Essa simples constatação - ao mesmo tempo tão aterradora e tão verdadeira - faz com que o homem do século XXI, que detêm para consigo o poder da palavra (seja ela lida ou escrita), tenha mais poder que o seu semelhante que não lê, ou que não escreve.

Isto é em sua essência, senhores e senhoras, o poder da palavra.                                                                                                                                                                                                                            

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Amor fluido

Amor fluido
flui abstrato.
Ainda que termine
difuso éter
propaga réstias sobre corpos;
arestas que se encontram
não deformam cantos.
Mas, não há mais sentido
para sons, rimas, magia.
E, ainda que absorto,
revolvendo nuvens, não há espera.
Incauto, permaneço à flor da pele
Desenhando frases na estratosfera.

Amor fluido
flui abstrato
à quinta-essência de um nome
sussurrado
Entre, palavras não ditas.
Tateias pétalas na flor;
Nas entrelinhas tatuo teu retrato.

Tudo deixa marcas no tempo.
O amor, nós em nós,
cravados.
Feito gota de chuva
que despenca do céu;
no sabor da dor
cristaliza na saliva
de corpos quebrados.

Tudo quando acaba
sobra um pouco?
Mas, não ouço mais tua voz.
As folhas se desprenderam no outono
e, dentro de mim o silêncio grita.
No arquivo morto
pó de estrelas dançam sobre as árvores.
As lembranças continuam vivas:
sempre-vivas
como as flores secas.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Tarrafa












Noite translúcida.
Orvalho perfume de flor...
Trama entre a teia
Partículas de suor.
Sedutora escama,
Solitária cor...
Náufraga aquarela
Tingia nuances de azul
Do céu até formar o mar...
Beijo das ondas
Umedecendo os teus passos.
Nossos abraços
Às estrelas,
Soltos no grito dos astros.
Emaranhados nas pegadas,
Nossos rastros
Desenharam areia.
Sereia, peixe bordado de luz
Na manhã que principia...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Espere por mim


A consternação não cabe
Sobeja salgadamente pela face
O sentimento se esvai
O que era hoje torna-se saudade
 
Perpetrei o melhor
Para ser mais próximo
Sei que não foi o bastante
Tornou-se contraditório
 
Contrário ao meu bel-prazer
E ao que é correto
Foi-se antes da hora
Como se o tempo estivesse ao inverso
 
O lento acelerou
O eterno findou
O antes se tornou
A saudade que ficou
 
A efígie é o que resta
A saudade pinta a tela
A pintura eu já tenho
Impressa na minha cela
 
Eterna se torna
No momento que vai embora
Mas.....mais presente agora
Nos olhos que aflora
 
Com sua beleza tísica
Ainda era a mais bela das castas
Sensível ao toque....suave como seda
No seu coração....as mais ternas belezas
 
Fugiu aos nossos olhos
Mas outros agora a veem
Aprecie quem sempre te esperou
Segure sua mão e aproveite
 
Um dia nos depararemos
E deixarei de ser elegíaco
Na voragem da saudade viveremos
E então.....jaz um timorato choramingo
 
 Início....não é
Nem o......fim
Até logo......até
Espere......por mim



sábado, 17 de junho de 2017

Poema relativo

A noite só fica triste
quando é, de fato, preciso.

Há noites em que toda a luz
vem pousar aqui comigo
em um silêncio cheio de canções.
Há noites que nem os clarões
cortam a telha de vidro.
E nada, nada, nada
faz qualquer alarido.
A noite só se enche de escuro,
de cacos cortantes no muro,
quando chorar é preciso.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

PERPENDICULARES

O rascunho do que escrevo
O gosto eterno de um beijo
Ao som abafado do que vejo
Tornam ilógicos os sentimentos
Quando encontramos duas retas
Perpendiculares
Mefistofélicos atropelamos com pressa
O que já era reto e vergamos os olhares
A janela
Antes com a mais suntuosa paisagem
Agora abraça
O muro....desconfortante miragem
Vivo cada dia como se fosse o penúltimo
Pois não tenho pressa
A fruta que amadurece antes do tempo
Estraga-se de véspera
Viva
Aos pacientes da estrada....à paciência na caminhada
Mesmo sendo nós perpendiculares
Atropelamo-nos
Cedo ou tarde
Viva
Os rascunhos....os gostos
Os sons...os sentimentos...os abrolhos
Lógicos...ilógicos...como tantos outros
Mesmo retos ou tortos
Com razões ou devaneios
São somente nossos
Perfeitos

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Da plenitude

N'alguma hora de infinita solidão
alguém, por essa serra
abre a janela.


A noite devassa
se põe devagar na sua cama.
Nada mais lá fora,
nem mesmo os gatos ronronam,
tal negrura se apresenta.

Tem noites em que tudo é tão frio
que a lua não se atreve a aparecer
então, só a névoa
é plena