quarta-feira, 30 de março de 2011

Convidado Jean Andrade

COISAS QUE JÁ VI


Nas minhas andanças pelo Brasil, já vi muitas coisas, algumas absurdas, bizarras até, outras até que nem tanto, mas intrigantes. Já vi enchentes cobrirem cidades inteiras, já vi muitas árvores voarem como se fossem papel em dias de muita chuva, carros rodopiarem na pista lisa, um caminhão que passou direto na curva e caiu em uma ribanceira, comentou-se que ele já havia enfartado antes de sair da estrada. Uma carreta de refrigerantes tombada e com o motorista ainda nas ferragens, e o povo só queria saber de catar os refrigerantes que estavam espalhados. Muitas coisas absurdas eu vi. Já vi um avião cair em um pasto matando simplesmente uma inocente vaquinha, depois de decolar do aeroporto de Vira Copos em Campinas SP, está pensando que é brincadeira? Não é não, realmente eu vi, passou por cima da Rodovia dos Bandeirantes no momento em que eu passava. Quem viu o jornal nacional vai lembrar. Já vi também o Presidente da República e apertei sua mão em Pouso Alegre, Sul de Minas, em uma obra de duplicação da Rodovia Fernão Dias. Ao apertar sua mão, ele me puxou e afundei na terra sujando o terno do Presidente Lula. Foi engraçado e constrangedor ao mesmo tempo, mas aconteceu.

Vi o sol se por em um colorido sem fim, diziam que era DEUS em mais uma de suas pinturas, vi a noite chegar repleta de estrelas brilhantes, algumas delas caiam, eram estrelas cadentes e cada vez que eu as via cair, um pedido eu fazia. Do mesmo modo que vi o por do sol, também vi o nascer de um novo dia, e que lindo também era, outra pintura de DEUS? Com certeza! Vi dias de chuva e também de sol muito quente e também vi, no mesmo dia, sol e chuva ao mesmo tempo, é a natureza e quem observar um pouquinho verá um milagre á cada minuto. Pelas estradas do Norte, apostei corrida com uma raposa às margens da Belém-Brasília, quase ganhei. Vi aranhas do tamanho de uma mão atravessarem a pista, que arrepio me deu! Tamanduá e macacos têm de montão por lá. Na Ceasa de Belém, por ser no meio de uma mata fechada, sempre via casais de arara voando baixinho por ali. Fui, certa vez, perto de um rio e me disseram: cuidado! Tem sucuri por aí! Tá louco - gritei e voltei correndo para o caminhão. Era tudo mentira, só para me ver correr dali.

Éh! Já vi muitas coisas, muitas cidades e estados, sotaques engraçados e incompreensíveis, pessoas muito diferentes e muito legais também. Em Sergipe, um garoto queria que o trouxesse para São Paulo, Perguntei-lhe se ele queria visitar alguém por lá. Apenas me disse que não, que eu o levasse e o deixasse por lá que ele se viraria. Claro que jamais faria uma coisa dessas, pois ele não tinha noção nenhuma de como era São Paulo.Seria apenas mais uma criança de rua e... quem sabe, mais um marginal. Vi amigos se tornarem caminhoneiros e também os vi morrer nessa profissão, momentos tristes eu vi e vivi. Faz parte. Vi bandidos assaltarem um posto e depois matarem um motorista, vi que ninguém entendia nada daquilo que estava acontecendo, vi greves de caminhoneiros sem benefício algum, vi policiais tomando o dinheiro suado dos caminhoneiros dizendo que era o café, vi e me estressei, não queria ter visto. Já vi mulheres ao volante de uma carreta, e vi um brutamonte em um caminhãozinho de pequeno porte, achei legal ver isso. Muita coisa eu já vi e, com certeza, verei muito mais, pois a vida continua e eu continuo vendo tudo por onde eu passar. Faça como eu, pare, veja, reflita. Em toda parte existem coisas belas para serem admiradas, coisas legais, curiosas e até absurdas, mas existem e aí estão. O mundo é para ser visto, admirado, portanto veja, mas com reflexão e proveito. O que não presta você joga, o que for bonito você leva.


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Jean Andrade

 

terça-feira, 29 de março de 2011

Dia vinte e (nada de) nova

Chegou o dia vinte e nove, esse que me convida a escrever e compartilhar, aqui. O meu dia (olha só, um dia inteirinho pra mim, melhor aproveitar). Mas cada vez me sinto menos escritora (minha tarefa de bebedora segue inabalada). Encaro essa página de postagens do blogspot.com por longos períodos, e chega a mim um certo desespero - sou a única? Me canso inclusive de falar sobre minha falta de inspiração, a gente pode mamar da mesma fonte até um certo limite.
Mês passado tive sorte, olha só, não houve vinte e nove - ufa, podia fingir não escrever porque o calendário não deixava. Nos anteriores esperava ansiosamente minha hora de postar aqui, mas a vida foi tomando conta, sabe? Me ocupou de resolver papelada, rever velhos amigos, mudar de cidade e de país, procurar emprego e deixar meu apartamento. Me deixou com teto e sem teto, ao mesmo tempo. Em casa e absolutamente estrangeira, ao mesmo tempo. Diacho de mundo velho sem porteira, diria meu vô, que dizia pouco. Talvez fosse esperto o vô Jorge, quieto ficava enquanto as tias fofocavam, e se ocupava basicamente de sua horta e das missas. Já eu, fico aqui tentando escrever, tentando falar, quando às vezes, mesmo com a vida inteira te circundando, te alfinetando, não tenho nada a dizer.
Espero passar, mas às vezes até me canso de esperar. A gente já sabe que a vida não é fácil e nem sempre te dá o que quer, então aceito tranquilamente os períodos de silêncio. Aceito. Vou viver a vida, e deixo meu blog às moscas. Eu posso, ele é meu. Aceito. Espero. E nada!
Diacho!


(Pô, eu também tenho meus limites, dona fada da inspiração)

domingo, 27 de março de 2011

Pontos turísticos do DF

No meu blog, Prosas e Viagens, posto textos literários e também fotografias e pequenos relatos sobre pontos turísticos: viajar, além da literatura, é outra de minhas paixões.

Até o momento, postei no blog informações apenas sobre a cidade onde vivo, Brasília. Em breve, postarei também fotos e textos sobre outras cidades.

Confiram abaixo algumas fotos de lugares do DF; se quiser ler mais informações e ver mais fotos obre os locais, basta acessar o www.prosaseviagens.blogspot.com

Museu Vivo da Memória Candanga: ocupa as instalações do primeiro hospital instalado em Brasília; hoje possui exposição permanente sobre a construção da cidade.



Santuário de Schoentatt: a capelinha é rodeada de belos jardins e, por estar em um morro no caminho para Sobradinho, permite uma visão privilegiada da capital.



Espaço Lúcio Costa: está no subsolo da Praça dos Três Poderes, possui uma grande maquete de Brasília, constantemente atualizada.



Museu da Cidade: também na Praça dos Três Poderes, abriga painéis que situam a idéia da mudança da capital a partir dos século 18.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aceitação


Não aceitava a realidade do momento presente.

Por isso vivia escondido,

Ou no passado ou no futuro.

domingo, 20 de março de 2011

Convidada Gisela Rodriguez


Só pra mim


Aquele homem é filho da memória e eu
subo escadas com raízes nos degraus pensando
em alcançá-lo         meus pés
revoltam folhas marrom-douradas
/ petrificadas /: três mulheres banham-se
com o resto da brisa   (
... )  que levo comigo
/                        /: três mulheres não me acompanham.
– Quero ir só e só poderá ser eu e ele
este filho subverte o sexo
surpreende o fim.
E eu continuo subindo
e folhas flutuam douradas agora
totalmente reluzentes no semblante
                                                                        dele.
Ele sou eu eternamente
minha mente e alma
meu ego dissoluto
sem o obtuso realismo
/                            / rasgando meu corpo
tornando-me desejo e torpor
remexendo o centro, revirando o ventre
desencadeando a luxúria.

(No tempo estagnado
entre o copo de vinho
e meu desejo consumado)
                                                                  Ele,
meio Baco meio fera meio homem,
/                              / só pra mim.
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Réquiem para um sonho

quando morre um sonho
ele não se vai sozinho,
carrega consigo
o seu dono.

é preciso ser fênix

e renascer através
de pequenos sonhos
desalmados.

André Espínola

quarta-feira, 16 de março de 2011

"Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu"

Está um frio de nós dois em Sampa.

Você é minha última recordação em dias frios.Os outros dias frios feneceram em invernos passados. Queria canções e palavras, você bem sabe! Queria tantas outras coisas e queria agora.

Só porque está um frio de nós dois é que te escrevo. Carta de poeta é assim mesmo, imprecisa! Fumo e ouço cigarro. É preciso conhecer Baleiro para que possa me compreender neste momento. Um dia destes, te apresento.

Por aqui não há grandes novidades. Você já sabe que talhei os meus cabelos. Isto nem me feriu. O que me dói é talhar sonhos e decidir. Ambas as coisas não são inéditas, porém incomodam tanto quanto alguma dor sua. Queria saber suas dores. Um dia destes, me apresente!

Não te contei minhas quimeras e não vou despejar meus desgostos . Quem sabe isto seja o bom senso. Perdi meus óculos e isto me dificulta. Astigmatismo, Baby! Neblina de serra em tempo integral. Lembrei agora do primeiro dia que usei meus óculos. Foi na cozinha de casa e ali eu redescobri ou aprendi que o mundo brilhava. Queria o brilho de volta. Um dia destes, vou no oftalmologista.

Domingo houve vida, poesia e samba. Digo isto, pois na última conversa você me disse pra ficar em paz. Eu fiquei, Amor... Me acredite! A paz é um lugar igual as cartas de poetas. Mas existe. E domingo eu andei de mãos dadas com ela e jurei não abandoná-la jamais. Disse a ela que mesmo que a gente se desentenda, pra ela permanecer ao meu lado. E ela jurou fidelidade a mim. Queria mais vida, poesia e samba. Um dia destes, podemos fazer isto juntos.

O dia, dizem, que tem 24 horas. Eu não tenho acompanhado se isto é verdade. Você sabe me dizer? Quando acordo, o dia já se esgotou um tanto. Por isto sempre tento prorrogar os olhos abertos... É muito ponteiro pra pouca vida. Como estão seus ponteiros? Há tempo pra tudo que se sonha? Há tempo pra tanta perspectiva? Queria destruir o tempo. Um dia destes, ele me destrói.

O cigarro acabou cantando que não crê em santos e poetas. E você, acredita Baby?

Beijo de inverno nos desejos!

Ainda Outono de 2010

Barbara Leite

sábado, 12 de março de 2011

Descuido


Bebo uma saudade que não me cabe,
Que reflete em lágrimas
E apaga o brilho da constelação
que já foram meus olhos,
em um passado não muito distante.

Aprecio o escuro da noite,
Onde me escondo das artimanhas
das minhas emoções
Um ar de mistério me persegue e,
Caminho sem saber ao certo onde estou

Descuido.

A mudança da fase da lua expõe
Minha face oculta tão escondida
Pela escuridão.

E apesar das incertezas admito,
É hora de recomeçar

E a sombra das minhas curvas se movem lentamente
Na luz do luar e,
Ao dominar meu fingimento

Sigo sem olhar para trás.
(Ro Primo)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Convidado David Michael de Melo Rodrigues

O CAMINHO ESTREITO



Rostos estranhos, cansados já viram antes a esperança atrás do arco-íris.

Caminhando, continue a caminhar e entenda o seu caminho quando chegar.

Jazem rostos estreitos de escuridão

Cansados talvez pela persuasão.

Cansados de ouvir a esperança chamá-los para mais uma união, entre homem-céu, céu –homem como sol ouro sem trevas, sem nuvens cinzas, sem tristeza e sem escuridão. Carregam pelo obvio estes rostos estranhos e cansados.

Soldados maquinistas, jovens rostos estranhos continuem a vagar por esses caminhos e entenda a chegada.

Pensamentos dissonantes a cada passo

Pensamento altruísta que eleva á esperança.

Eram tempos aonde os amores era vida presente em todas as manhãs.

Pássaros cantavam e voavam.

Cisnes dormiam sob seu travesseiro de penas.

Rostos estranhos

Rostos jazem cansados já viram a esperança.

A caminhada ainda continua e quando chegar entenderá sua chegada.

Se compensares o amor vivo de todas as manhãs.

Se compensares cansar caminhando atrás da esperança e se tornar um estranho quando voltar de lá.

Rostos estranhos

Rostos vazios

Rostos sem esperanças

Esperança de ver mais uma vez a esperança.

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POEMA PÓSTUMO
A morte é um poderoso vento
Tudo dissolve quando ele leva
A morte tem um grito que ninguém consegue descrever.
O mundo está de ouvidos fechados
Os lábios atentos a um canto mais profundo.
A morte é o dono do universo
O homem pode chegar ao centro do mar
Caminhar por planetas, descobrir novas criaturas... Mas...
Sobre a morte que chegou de tarde
Sofre sem saber de que morte também é arte.

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quarta-feira, 9 de março de 2011

PARA ANDRÉ DAHMER


Hoje
Quero falar de André Dahmer
Não do verdadeiro
Não o conheço tanto assim
Não frequentamos a casa um do outro
Nem trocamos figurinhas
Talvez ele seja outra pessoa
Vou falar do meu Dahmer
Vivente em meu mundo interno
Nos meus pensamentos
O Dahmer que eu inventei, é um pouco.
Um pouco não
É um muito
Um muito dos seus quadrinhos
Um muito de suas entrevistas
Um muito de suas telas
Um muito de suas caronas apavoradas no meu carro
O meu Dahmer não acredita em faixas pretas
Não acredita em bom ou ruim
Não acredita em referencias
Ele se constrói
O meu Dahmer não atribui sucesso a dinheiro
Não considera pauta quem vai ficar rico com arte
E quando perguntam como ganhar grana...
... Fica puto
O meu Dahmer quer que as editoras se fodam
As gravadoras explodam
Os Xiitas das opiniões morram
E não tem medo por isso
O meu Dahmer não da à mínima pra cultura de massa
Defeca andando pro consumismo
Não vê novela
Nem ouve rádio
O meu Dahmer é um libertador
Não acredita no Jornal Nacional
É um anarquista
Um comunista
O meu Dahmer é um crítico ferrenho
Odeia a sociedade moderna ocidental
Não quer ficar rico
Nem pobre... de espírito
O meu Dahmer não leu Nietsche
Nem Schopenhauer
E não tá nem ai pra Freud
Não precisa disso
O meu Dahmer é humano
Se entorpece de vinho
Ajuda o vizinho
Anda muito sozinho
O meu Dahmer é um gênio
Não um gênio qualquer
Um gênio sem vaidade
Meu gênio da lâmpada

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
Based on a work at http://www.pablotreuffar.com/.
A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

terça-feira, 8 de março de 2011

Coração de bolso



Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.

Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.

No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.

E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.

A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.



foto de Antônio Machado

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quinta-feira, 3 de março de 2011

o redemoinho e a flor

(inspirado no poema “Flor de tempestade” de Celso Mendes)

meu perfume se acha
dentro de suas nuvens
num intento
danço como flores
de tempestade
essas que se agitam
com sopro seu
e se despedaçam
com a força das gotas
e o carmim das pétalas
se derrama na correnteza

é invisível e pouco delicado
move-me senhor dos ventos
e faz-se rubro e gigante
aqui dentro
mas saiba
que nunca estou repleta
de uma coisa só

quarta-feira, 2 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Convidada MCIdeR


Ai, to com dengue


Mal estar, dor de cabeça,
Dor no corpo, to ferrada.
Tenho todos os sintomas,
Acho que fui picada.

É a danada da dengue
Que se alastra por aqui.
Ninguém ta se importando.
Não sei se vou resistir.

Vou correndo para o médico,
Pois tenho que me tratar.
A dengue não é brincadeira.
Ela pode me matar.

O povo ta reclamando
Que a Prefeitura não liga.
Mas é a população que precisa
Entrar de cabeça na briga.

Dengue é coisa séria,
Muito mais do que se pensa.
Se não a controlamos,
Logo, logo se adensa.

De cada um é a responsabilidade
De cuidar do ambiente,
Senão essa enfermidade
Toma conta da gente.

Sujeira, vasilhames,
Tudo jogado por aí.
Com água bem paradinha,
Ele não vai resistir.

Vem voando e se acomoda,
Pensando no seu porvir.
Tem casa e alimento.
Só falta reproduzir.

Se todos nos engajamos,
Cuidando de nossos quintais,
Mandamos o mosquito embora.
Dengue aqui nunca mais.

Se ele chega e vê,
Tudo seco e bem limpinho,
Bate asas, desconsolado,
Vai embora rapidinho.

Estou dando o meu recado
Pra todos dessa cidade:
Por favor, não tenham dengue,
Mãos-a-obra, de verdade.

Vamos mostrar o valor
Do povo tricordiano:
Acabar com o mosquito,
Aqui ele não causa mais dano.

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MCIdeR em TC – maio de 2010.